novembro 07, 2014

Todos os dias ela pensa que poderei falar de Robert L., e ainda não posso. Mas naquele dia eu lhe disse que achava que um dia o faria. Que já escrevera um pouco sobre sua volta. Que tentara dizer alguma coisa sobre aquele amor. Que fora durante sua agonia que melhor conhecera aquele homem, Robert L., que percebera do que ele era feito, apenas ele, mais ninguém; que  estava falando daquele dom, daquela característica de Robert L. na terra, específica dele, e que o conduzia através dos campos, da inteligência, do amor, da leitura, da política, de todo o inefável dos dias; daquele dom só dele, mas composto da idêntica carga de desespero de todos.


marguerite duras, a dor